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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Ruído

Mais um texto fabuloso do Flow Júlio César =D



Havia uma garota vivendo em uma velha aldeia nos arredores do século XIV. Esta garota tinha belas melenas ruivas, como se fosse fogo. Um dia, torturada pela vida pobre e pela fome, a garota subiu por uma montanha até chegar ao templo dos sacerdotes. 

Ao chegar, bateu à porta e se deparou com Deus. Ele estava usando uma bela vestimenta e tinha um brilho nos olhos. A garota, surpreendida, se apaixonou por Deus e por um momento se deliciou com a sua presença.

Mas, os sacerdotes, vendo aquilo como uma heresia, roubaram a garota da presença de Deus e lhe aprisionaram em uma torre. Ela rezava para que tudo voltasse a ser, mas não foi o que aconteceu.

Os sacerdotes, revoltos, colocaram uma maldição no ouvido dela: toda vez que ela se aproximasse de Deus, o barulho, como um tambor, bateria cada vez mais forte; e, se ela não saísse de Sua Presença, a alma dela se extinguiria.

E a pobre garota nunca mais viu Deus. Nunca.

por Júlio César.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Apocalipse

Nota pessoal: Esse é o texto de um flow chamado Gabriel, que gentilmente me deixou compartilhar com vcs. Obrigada, Gabriel! Espero que gostem!




A felicidade é como fogos de artifícios, que atinge certo ponto depois explodem em luzes brilhantes e coloridas.
Eu estava em casa vendo TV quando uma gritaria na rua me chamou a atenção, eu olhei pela janela e vi a rua lotada de pessoas correndo desesperadas mulheres com crianças no colo cachorros, galinhas e gatos alguns até pularam o meu jardim. Eu fiquei paralisado com a cena, pareciam estar fugindo de alguma coisa. Foi quando eu percebi que o meu tempo naquele lugar estava acabando, quando fui pegar minhas coisas percebi que não havia tempo então eu calcei um tênis e coloquei um casaco corri na mesma direção, percebi que o fim estava próximo, mas não estava triste eu estava rindo e as outras pessoas também quando finalmente ouvi os cascos dos cavalos atrás de nós “não deixem que eles nos peguem” juro que ouvi meu pai gritar atrás de mim e realmente era ele que estava de terno e gravata correndo atrás de mim ele havia saído do trabalho para correr? E minha mãe também estava com óculos escuros e uma saia de trabalho que dificultava ela a correr ela estava gargalhando ao lado de uma mulher, todos abandonaram os seus lugares, bares e restaurantes ficaram vazios hospitais e clinicas também, haviam também idosos de cadeira de rodas correndo em meios ao caos todo mundo queria se salvar mas estavam todos tão felizes por finalmente ter chegado o fim.

texto de Gabriel

sábado, 26 de novembro de 2011

O que a água me deu

Nota: Esse é um texto do Marcos, Flow apaixonado pela Florence como todos nós. Esse texto ele escreveu inspirado em What the Water Gave Me. Aqui estou só reproduzindo o post original =) Enjoy it \o

*


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Para Ofélia.

- Quem é você? – Ela me perguntou naquela noite.

- Sou sua consciência. Seu anjo da guarda – respondi.

Mas talvez essa não seja a melhor maneira de começar essa estória...

Era uma vez uma garota que já não era menina, tampouco era mulher. Ela não era, pois vivia fora do tempo, no meu tempo, e nem mesmo eu sei como conseguiu tamanha proeza. Seu nome? Ela tinha vários. Alice, Helena, Laura, Maria, Joana... Mas vamos chamá-la de Ana. Só Ana.

Ana viveu boa parte de sua vida dentro das regras, ela era o orgulho de seus pais e suas mães. Só tirava boas notas quando esteve na escola, falava várias línguas, tocava alguns instrumentos e ainda fazia trabalhos voluntários.

Pessoas são influenciáveis. Sim, todas elas. Mas não Ana. Ela tinha sua própria opinião. Ouvia novas idéias, registrava, pesquisava, estudava e decidia. Portanto, estão errados aqueles que disseram que foi influencia de amigos. Não foram os amigos. A semente do mal veio com o vento e se instalou em seu coração puro. A culpa é do vento.

“O que está acontecendo com você?” seus pais e mães perguntavam.

“Eu só quero mudar” ela respondia.

E ela mudou. Mudou seu guarda roupa, usou os mais excêntricos cortes de cabelo e todas as cores de maquiagem. Mudou seu estilo de música, mudou de casa, de carro, de nome, mas ainda era Ana. Só Ana.

Eu já estava perto dela nesse tempo. Algumas das escolhas que ela fez foram sussurradas por mim. Eu a fiz conhecer as pessoas certas e procurar nos lugares certos. Ela se tornou uma amante cruel, imperfeita... Foi quando clamou por mim pela primeira vez.

Não a respondi de imediato, é claro. Ela precisava se alimentar.

Ana sugava segredos e não os dividia. Quando estava pesada o suficiente, quando enxergava em vermelho e sentia cheiro de maçãs pela manhã eu me fiz visível.

- Quem é você? – ela me perguntou naquela noite.

- Sou sua consciência. Seu anjo da guarda.

Ana acreditou em mim.

- Você sabe? – Ela perguntou, só pra ter certeza.

- De tudo.

Nos arrastamos pela cidade. Ela estava muito pesada em meus braços, e quando não conseguia andar eu a carregava nas costas.

- É aqui – sussurrei, gentilmente.

O sol estava nascendo e seu reflexo brilhava nos olhos de Ana e no rio que rugia a alguns metros abaixo dela.

- Não há perdão – ela falou baixinho. Eu concordei com um gesto.

A gravidade machucava.

- Você sabe o que fazer – eu disse.

Então ela escorregou, e todo o peso que ela carregava a puxava cada vez mais para baixo na água gelada.
Primeiro sentiu o cheiro das maçãs, depois ouviu a água invadir seus pulmões.  Ela achou que eu era o sol brilhando através da morte, dizendo adeus enquanto todos os segredos escorriam de seu corpo.
*
What the Water Gave me


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escrito por Marcos Wesley